Brasil assume protagonismo global na COP15 sobre espécies migratórias
Sob o lema “Conectando a natureza para sustentar a vida”, teve início na segunda-feira (23) a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15). O evento reúne cerca de 2 mil participantes e marca um momento histórico para o país.
Pela primeira vez, o Brasil assume a presidência da conferência, fortalecendo seu papel na articulação de compromissos socioambientais globais.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, abriu os trabalhos destacando o Pantanal como cenário simbólico e estratégico para o debate. Segundo ela, ampliar a representatividade nas decisões climáticas passa pela inclusão de povos e comunidades tradicionais.
“O Pantanal é uma terra de encontros. Precisamos conectar nações, política, ciência e saberes tradicionais para garantir que as espécies migratórias sigam seu caminho”, afirmou.
Brasil na liderança
O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, assumiu formalmente a presidência da COP15 para o próximo triênio, sucedendo ao Uzbequistão.
Segundo ele, o protagonismo brasileiro será baseado em ações concretas.
“Queremos ampliar a cooperação internacional, buscar novas adesões e fortalecer investimentos em ciência e conservação”, destacou. A liderança brasileira também foi reconhecida por Elizabeth Maruma Mrema, diretora executiva adjunta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
O que está em debate
A conferência reúne mais de 100 itens na pauta de negociações, incluindo:
combate à caça ilegal
perda e fragmentação de habitats
impactos da mineração submarina
poluição sonora e química
A secretária-executiva da convenção, Amy Fraenkel, destacou a importância da cooperação internacional.
“Espécies migratórias são indicadores da saúde do planeta. Se não completam seus ciclos, todo o sistema é afetado”, explicou.
Entre as propostas brasileiras está a inclusão do Pintado (Pseudoplatystoma corruscans) na lista de espécies protegidas.
Atualmente, a convenção protege 1.189 espécies, entre aves, mamíferos, peixes e répteis. Uma espécie migratória é aquela que atravessa fronteiras em busca de alimento, água ou reprodução.
Proteção e reconhecimento
Durante a abertura, a ministra Marina Silva também destacou o papel das populações tradicionais na preservação ambiental.
Segundo ela, o Brasil busca liderar pelo exemplo, combinando políticas de proteção integral com iniciativas de uso sustentável.
A programação inclui ainda a “Noite dos Campeões das Espécies Migratórias”, que reconhece países por contribuições relevantes na preservação da biodiversidade.
Programação
A COP15 segue até o dia 29 de março, com reuniões plenárias e grupos de trabalho que vão definir diretrizes para a conservação das espécies nos próximos anos.
Paralelamente, o governo brasileiro promove atividades abertas ao público, como o Espaço Brasil, no Bosque Expo, e o evento Conexões Sem Fronteiras, realizado na Casa do Homem Pantaneiro, no Parque das Nações Indígenas.
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