Fronteira de MS entra em programa federal de combate ao crime organizado
Seis municípios de Mato Grosso do Sul localizados na faixa de fronteira com o Paraguai foram incluídos pelo governo federal no programa “Território Seguro: Amazônia Soberana”, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública com foco no enfrentamento ao crime organizado em regiões estratégicas do país.
Entraram na lista os municípios de Dourados, Ponta Porã, Bela Vista, Antônio João, Amambai e Laguna Carapã. As cidades aparecem frequentemente em levantamentos de inteligência relacionados ao tráfico internacional de drogas, armas, contrabando e atuação de facções criminosas.
O programa contará com investimento nacional de R$ 209 milhões e atenderá 42 municípios distribuídos em seis estados brasileiros. Embora a iniciativa tenha foco principal na Amazônia Legal, Mato Grosso do Sul foi incluído devido à importância estratégica da fronteira sul nas rotas do crime transnacional.
De acordo com o Ministério da Justiça, a proposta é ampliar a presença do Estado em áreas vulneráveis à atuação de organizações criminosas, reunindo operações policiais, ações de inteligência, prevenção social e recuperação de territórios considerados sensíveis.
Os recursos serão divididos em diferentes frentes. Cerca de R$ 69,1 milhões serão destinados ao combate e desarticulação de quadrilhas e retomada de áreas dominadas pelo crime organizado. Outros R$ 7 milhões serão aplicados em ações de inteligência e monitoramento. Já R$ 85,9 milhões irão financiar programas de prevenção e ampliação do acesso a direitos sociais, enquanto R$ 47 milhões serão direcionados à reinserção social e incentivo a atividades econômicas legais.
Apesar da inclusão dos municípios sul-mato-grossenses, o governo federal ainda não informou quanto cada cidade receberá individualmente.
A inserção das cidades de Mato Grosso do Sul no programa ocorre poucos dias após o estado também ser apontado como prioridade no plano “Brasil Contra o Crime Organizado”, lançado recentemente pelo governo federal, que prevê investimentos de R$ 11,1 bilhões em segurança pública, especialmente em áreas de fronteira, sistema prisional e combate financeiro às facções criminosas.
Nos últimos anos, autoridades estaduais e federais vêm reforçando que a fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai se consolidou como uma das principais portas de entrada do tráfico internacional de drogas, principalmente da maconha produzida em território paraguaio, além do transporte ilegal de armas e mercadorias ilícitas.
O programa “Território Seguro: Amazônia Soberana” será executado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos e integra o plano AMAS (Amazônia: Segurança e Soberania), criado pelo Ministério da Justiça em 2023.
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