28/05/2026 20:05 17 hrs atrás

Choro de duas mães e silêncio da prefeitura: saúde de Campo Grande coleciona tragédia com crianças



Famílias relatam peregrinação por unidades de saúde, demora no atendimento e falta de respostas após mortes de João Guilherme, de 9 anos, e Hannah Julia, de 8, em Campo Grande.

Duas crianças, com idades próximas e histórias diferentes, acabaram unidas pela mesma tragédia: a suposta falta de atendimento adequado em unidades de saúde de Campo Grande. João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, e Hannah Julia Romeiro Nolasco, de 8, morreram em abril de 2026 após passarem por atendimentos em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e postos de saúde da Capital. Agora, as famílias cobram respostas da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).

 

Os dois casos ocorreram em períodos diferentes do mês, mas seguem um roteiro semelhante. As crianças apresentaram sintomas graves, passaram por mais de uma unidade de saúde e foram liberadas após atendimentos que, segundo os familiares, não solucionaram os problemas. As famílias apontam possível negligência médica.

 

João Guilherme começou a passar mal após sofrer uma queda no dia 2 de abril. Ele foi levado à UPA Universitário, onde recebeu medicação para dor e acabou liberado. Mesmo com a persistência dos sintomas e o agravamento do quadro, incluindo fortes dores no peito, o menino continuou sendo levado a outras unidades, como a UPA Tiradentes, mas voltou para casa após os atendimentos.

 

O estado de saúde piorou nos dias seguintes e, na madrugada de 7 de abril, João sofreu uma parada cardiorrespiratória. Ele chegou a ser reanimado e encaminhado para a Santa Casa, mas não resistiu.

 

Já Hannah Julia começou a apresentar febre alta e sintomas gripais no dia 24 de abril. A mãe procurou atendimento no CRS Coophavila II, onde a menina realizou exames de sangue e recebeu encaminhamento para medicação intravenosa. Contudo, devido à superlotação no setor de medicação, a família retornou para casa após administrar dipirona, com autorização médica.

 

Nos dias seguintes, Hannah apresentou melhora temporária, mas voltou a piorar no dia 27, com tosse intensa e episódios de vômito. Na UPA Leblon, segundo a família, ela foi diagnosticada com influenza e recebeu orientação para tratamento domiciliar.

 

Na terça-feira (28), o quadro se agravou drasticamente. A criança passou a apresentar vômitos constantes, palidez, lábios arroxeados e dores pelo corpo. A mãe retornou à unidade de saúde, onde novos exames e medicações foram solicitados. Ainda assim, Hannah acabou liberada novamente.

 

Horas depois, durante a madrugada, a situação ficou crítica. Conforme relato da mãe ao TopMídiaNews, Hannah reclamava de dores na nuca, braços e pernas e não conseguia dormir. Na terceira ida à UPA Leblon, a menina já estava extremamente debilitada.

 

A família afirma que houve demora no atendimento, dificuldades para conseguir medicação e falta de vaga para observação médica. Em determinado momento, Hannah teria começado a apresentar falta de ar enquanto aguardava atendimento.

 

“Ela puxou o ar e não achou. Virou o olhinho e endureceu nos meus braços”, relatou a mãe.

 

A menina foi encaminhada para a emergência já em parada cardiorrespiratória, mas morreu pouco depois.

 

Nos dois casos, a prefeitura encaminhou apenas uma nota oficial básica, alegando restrições da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) para não detalhar informações sobre os atendimentos. O município informou apenas que “os fatos são devidamente apurados, com base em levantamentos de prontuários e registros médicos, entre outros”.

 

Enquanto isso, as famílias de João Guilherme e Hannah seguem convivendo com a dor do luto e aguardando respostas sobre o atendimento prestado às crianças.

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