Artigo: Adolescentes em conflito com a lei...
Segunda-feira, 09 de Novembro de 2009
(*) Marcio e Cláudia Gonçalves
O Mato Grosso do Sul já fez tudo de errado na aplicação das medidas sócioeducativas. Quando achamos que ele chegou ao fundo do poço, descobrimos que ainda tem mais e mais... Tudo, tudo foi feito de forma errada, até quando acham que estão acertando estão errando feio, basta vermos as ultimas inaugurações: ambulatórios dentro de Uneis, será que ninguém desse governo sabe ler? Ninguém ouviu falar em incompletude institucional? Ouvi o superintendente das Uneis dizer que foram gastos quatrocentos mil reais no ambulatório da Unei de Dourados/MS, e falou de boca cheia “gastamos mais de quatro milhões nas Uneis”. Se continuarem gastando assim é melhor fazer uma grande fogueira com esse dinheiro.
Desde o início este governo vem fazendo besteiras nas Uneis, uma hora as usam de laboratório para pseudos-especialistas, que na verdade só tem a intenção de ganhar dinheiro. Noutra acusam os funcionários de responsáveis pelo fracasso das Uneis. Enquanto subordinados à Secretaria de Assistência Social, as medidas sócioeducativas sofreram todo tipo de absurdo, desmantelamento de sua equipe (de repente todos os funcionários viraram bandidos), uma total inércia da sua cadeia de comando (secretária, superintendente, coordenadores), uma descabida centralização de decisões na pessoa da secretária de estado, um autoritarismo sem precedentes, e como todo autoritarismo, não tinha a mínima idéia do que estava falando e fazendo, e no melhor estilo ditador se acovardou diante da derrota e fugiu, entregando as Uneis à Secretaria de Segurança Pública, e aí sim ela sabia o que estava fazendo, uma aberração. As conseqüências desses absurdos foram noticiadas desde o início do governo, tivemos de tudo, rebeliões, depredação, funcionários reféns, adolescente incendiado e morto, torturas, desrespeito aos princípios mais básicos de direitos humanos, interdição de Unei, enfim se passaram três anos e a pergunta que fica, onde vamos parar? Onde está o fim do poço?
Depois de prometerem mundos e fundos aos funcionários, promessas políticas que não se cumpriram e não se cumprirão, as “medidas” foram parar nas mãos da segurança pública, que até agora só conseguiu piorar a situação das Uneis, nas Uneis, por que para alguns, a estrutura física e financeira tem sido farta e gorda, aliás, 400 mil reais por um ambulatório, que nada mais é que uma sala com uma maca e um suporte para soro, é meio caro não é? Queria entender a mágica de gastar 400 mil reais num ambulatório e 188 mil reais para reformar toda a Unei do “Los Angeles”. Só posso chegar a uma conclusão, é dinheiro demais por um ambulatório. Tenho que pedir a “alguém” (não sei quem é esse “alguém”) que me diga quem as “medidas” esta apoiando nas próximas eleições, por que com certeza vai apoiar e fartamente, pelo que sei já tem até escritório montado pra isso. E como ficam os funcionários? E os adolescentes?
O que esperar de um governo que trata as causas sociais como se fosse a lepra do mundo, um governo que trata a assembléia legislativa como prostituta, trata a questão indígena com pirotecnia e demagogia, trata as questões dos sem-terras com polícia, trata o meio ambiente com estupro em praça pública, trata questões políticas no motel, e a justiça como se fosse seu mordomo particular?
A mídia está espantada com o aumento da criminalidade, particularmente entre os adolescentes. Não tem o que se espantar, esse aumento é resultado da política aplicada no MS, enquanto se tratarem as questões sociais como caso de polícia a criminalidade só vai aumentar, se nós lidarmos com a desestruturação familiar como se ela não existisse, se continuarmos chamando os pobres de vagabundos, o resultado será sim um aumento de todo tipo de violência, violência que já bateu na porta e na cabeça do prefeito da capital e que pode bater na porta e na cabeça de qualquer um, a qualquer momento.