Nesta quarta-feira (30), o Banco Central termina a reunião, iniciada ontem, que vai decidir o futuro da taxa básica de juros, a Selic, e, consequentemente, o novo ganho das poupanças. Se o Copom (Comitê de Política Monetária) estabelecer que a Selic será de 8,5% ao ano, as cadernetas passarão a render 70% do juro básico mais a TR (Taxa Referencial).
Atualmente, com a Selic a 9% ao ano, o dinheiro poupado rende 0,5% ao mês (6% ao ano) mais a TR.
A nova regra da poupança foi anunciada pelo governo federal no começo do mês e foi instituída pela MP (medida provisória) nº 567.
Se a taxa básica de juros atingir 8,5% ao ano ou menos, todos os depósitos feitos a partir de 4 de maio deste ano renderão conforme a nova regra.
A mudança nas cadernetas teve como objetivo estimular a queda da taxa básica de juros. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o governo não quer ser o responsável para que a Selic não caia mais, caso haja condições.
— Pela evolução da sociedade brasileira, além da queda da inflação e do nível de atividade econômica, temos que deixar pronto um sistema que permita a queda da Selic. Temos que deixar caminho livre para mudança.
Cenário
A expectativa é de que a taxa caia dos atuais 9% para 8,5% ao ano, conforme o boletim semanal Focus, uma pesquisa feita pelo BC junto a analistas e bancos.
O ajuste de 0,5 ponto percentual levaria a taxa ao menor nível histórico, além de dar continuidade a uma sequência de cortes iniciada em julho do ano passado. Foram quatro reduções de 0,5 ponto percentual e duas de 0,75 ponto percentual. A expectativa do mercado é de que os juros mantenham apenas um dígito em 2013, com taxa anual a 9,5%.
Selic
A Selic é chamada de taxa básica porque é a mais baixa da economia e funciona como um piso para a formação dos demais juros cobrados no mercado, que são influenciados também por outros fatores, como o risco de quem pegou o dinheiro emprestado não pagar a dívida.
Ela é usada nos empréstimos interbancários (entre bancos) e nas aplicações que os bancos fazem em títulos públicos federais. É a partir da Selic que as instituições financeiras definem também quanto vão pagar de juros nas aplicações dos seus clientes.
Ou seja, a taxa básica é o que os bancos pagam para pegar dinheiro no mercado e repassá-lo para empresas ou consumidores em forma de empréstimos ou financiamentos, a um custo muito mais alto. Por isso, os juros que os bancos cobram dos clientes é superior à Selic.
Copom
A reunião do Copom é dividida em dois dias. No primeiro, a ser realizado nesta quarta-feira, os chefes de departamento do BC e o gerente-executivo de Relações com Investidores apresentam análises sobre a inflação, nível de atividade econômica do País e evolução do mercado financeiro.
No segundo dia, participam apenas o presidente e os diretores do BC, todos com direito a voto, além do chefe do Depep (Departamento de Estudos e Pesquisas), sem voto. Os diretores de Política Monetária e de Política Econômica analisam as projeções para a inflação e fazem recomendações para a taxa de juros de curto prazo. Em seguida, todos os diretores se manifestam e apresentam eventuais propostas alternativas.
Criado em junho de 1996, o Copom tem o objetivo de estabelecer as diretrizes de política monetária e de definir a taxa de juros, nos mesmos moldes do Fed (Federal Reserve, o BC americano).
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