Inflação em janeiro é a maior dos últimos cinco anos na Capital
Quinta-feira, 04 de Fevereiro de 2010
de Campo Grande
O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) registrou uma forte alta no primeiro mês deste ano: 1,34%. O IPC/CG é calculado mensalmente pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes), vinculado a Universidade Anhanguera-Uniderp, e busca medir o nível de variação dos preços mensais do consumo de bens e serviços, a partir da comparação da situação de consumo do mês atual em relação ao mês anterior, de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.
Segundo o coordenador do Nepes, professor Celso Correia de Souza, desde janeiro de 2005, não era registrado um índice tão elevado. “Em janeiro de 2005, o IPC havia registrado aumento de 1,38%. Em 2006, o índice ficou em 0,94%; em 2007, 1,02%; em 2008, 0,56% e, em 2009, 0,28%”, relata. Dentre os grupos que compõem o IPC, apenas Vestuário apresentou deflação (-1,35%).
O grupo que mais contribui para a inflação foi Educação, com aumento médio de 5,29%, ocasionado pelos aumentos das mensalidades escolares, destacando os cursos de idiomas, com média de aumentos de 12,02%; cursos de nível superior, com 7,60%, educação infantil, com 5,69%; e ensino fundamental, com 4,15%. “Todos acima da inflação de Campo Grande em 2009, que foi de 3,29%”, aponta Correia. Apesar do momento de volta às aulas, com forte compra de materiais escolares, esse item apresentou deflação (-4,95%).
Em segundo lugar, aparece o grupo Transportes, com índice de 2,49%. Destacam-se neste grupo os aumentos nos preços do álcool combustível, de 10,23% e mão de obra de manutenção de automóveis, de 6,41%. Pneu novo foi majorado em 4,62%, automóvel novo, em 1,18%; e diesel, em 0,59%.
O grupo Alimentação também registrou inflação em janeiro, com índice de 1,20%. De um modo geral, contribuíram positivamente na composição desse índice os fortes aumentos de preços dos seguintes produtos: goiaba (47,87%), manga (45,38%), doces em calda (27,03%), couve-flor (25,38%), abóbora (21,93%), entre outros com menores aumentos. No subgrupo Carnes, foi constatado que os preços da carne bovina começam a reagir, com aumentos em quase todos os cortes, destacando: contrafilé (11,47%), costela (8,30%), lagarto (7,72%) e alcatra (6,86%). Quanto à carne suína, a pesquisa indicou aumentos em todos os cortes: bisteca, com 7,07%, pernil, com 6,71%, e costeleta, com 3,91%. Por outro lado, frango congelado e miúdos apresentaram queda de preço da ordem de -1,21% e -1,46%, respectivamente.
No grupo Saúde, o índice ficou em 1,86%, com destaque para elevação de preços dos itens: anti-infeccioso e antibiótico (9,91%), antigripal e antitussígeno (9,45%) e anti-inflamatório e antirreumático (9,18%). O grupo Habitação apresentou inflação de 0,17%, ocasionada, principalmente, pelo aumento nos preços do DVD, reajustado em 26,09%; álcool para limpeza, em 17,79%; e fogão, em 6,83%. Finalmente, o grupo Despesas Pessoais registrou índice de 0,44%. Os produtos que apresentaram as principais altas foram: sabonete (5,53%), xampu (2,80%) e hidratante (2,69%).
No grupo Vestuário, único com deflação em janeiro, destacaram as quedas nos preços de lingerie (-9,37%), short e bermuda masculina (-8,64%) e camisa masculina (-8,22%).
Inflação Acumulada
A inflação acumulada nos últimos 12 meses é de 4,38%, bem próximo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) que, para o ano de 2010, continua sendo de 4,5%, com tolerância de 2% para mais ou para menos. “Após vários meses de baixas inflações, o mês de janeiro de 2010 fugiu das expectativas, com aumentos das mensalidades escolares, que já eram previstas, mas não, tão acima da inflação do ano passado, como ocorreu”, comenta o pesquisador do Nepes, José Francisco dos Reis Neto.
Segundo Reis, chama também a atenção, as constantes majorações no preço do álcool combustível, produto preterido pelas usinas em detrimento do açúcar, mais rentável por causa da exportação.
“Outro fato que merece destaque é a reação do grupo Alimentação, que apresentou uma forte inflação em janeiro de 2010. Esse grupo vinha segurando a inflação durante todo o ano de 2009. Assim, o panorama por nós imaginado para esse início de 2010 não se confirmou, pois o real começa a se desvalorizar frente ao dólar, favorecendo ainda mais as exportações, o que pode provocar mais inflação nos próximos meses”, conclui o professor Celso Correia.
Em relação à inflação acumulada nesses últimos 12 meses, destacam os grupos Saúde com 8,16%, Despesas Pessoais com 7,82%, Educação 7,68% e Habitação com 5,65%. A pequena inflação de 0,40% nos últimos 12 meses e a deflação em janeiro de 2010, podem sinalizar problemas para os empresários do setor de Vestuário.
Dez mais e dez menos
Na composição do Índice de Preços ao Consumidor alguns produtos se destacam influenciando para mais ou para menos o índice do mês. Os dez produtos que mais contribuíram para a elevação da inflação em janeiro foram: mensalidades de cursos de nível superior, álcool combustível, alcatra, mensalidades de cursos do ensino fundamental, contrafilé, mão-de-obra (manutenção) de automóveis, arroz, mensalidades dos cursos de idiomas, mensalidades da educação infantil e costeleta.
Por outro lado, os dez produtos que seguraram a inflação em janeiro foram: leite pasteurizado, computador, papelaria, acém, óleo de soja, queijo mussarela/prato, tomate, short e bermuda masculina, camisa masculina e lingerie. “Vale ressaltar que os itens que mais contribuem não são, necessariamente, aqueles que apresentam maior variação. O que vai influenciar é o peso de cada um no orçamento mensal das famílias”, conclui o pesquisador José Francisco.
(*com informações da assessoria da Uniderp)