BC pretende simplificar as exigências de capital para cooperativas
Terça-feira, 02 de Fevereiro de 2010
Sato Comunicação
Dar as pequenas cooperativas de crédito um tratamento diferenciado e simples, é um dos objetivos do Banco Central, que tem a intenção de dispensar as pequenas, do cálculo e manutenção de parcelas de capital específicas para riscos operacionais e de mercado, o que eleva o capital exigido para o suporte de riscos de crédito, segundo o jornal Valor Econômico.
Ao aderir ao modelo, as cooperativas também não precisarão mais informar sistematicamente ao BC os riscos operacionais nem aqueles associados à oscilações de taxas de juros; assim como a cotação de ações e preços de commodities e variações de taxa de câmbio, o que acontece na atual norma em vigor.
Ainda segundo informações do veículo, o que vai definir se uma cooperativa tem ou não tratamento simplificado no cálculo do Patrimônio de Referência Exigido - PRE é o volume de ativos, que será no valor máximo de R$ 100 milhões.
Somente em dezembro de 2009, cerca de 800 das 1.405 cooperativas de crédito existentes no País já se enquadravam nesta situação. “O sistema cooperativo de crédito brasileiro está ansioso e a espera de que o BC promova alterações nas exigências existentes para pequenas cooperativas, que são as mesmas exigidas para qualquer banco comercial. Com certeza, com a redução das exigências, elas poderão melhorar sua performance e atender com maior amplitude as necessidades de seus associados, também oferecendo produtos e serviços financeiros com a mesma qualidade e com menor custo”, esclarece o presidente da OCB/MS Celso Ramos Regis.
O assunto é discutido pela Diretoria de Fiscalização e de Normas e será submetido ao conjunto dos diretores do BC. Visto que os normativos valem para todo o País, a situação não será diferente em MS.
“Será muito vantajoso para as menores, que não tem área de apuração de mercado estruturada, são numerosas e carecem também de profissionais especializados. A resolução ainda não saiu, mas virando realidade, todas aquelas com ativos menores que R$100 milhões serão beneficiadas, inclusive as que ainda nascerão. O objetivo é facilitar. Já para o Sistema de Crédito Cooperativo não muda muita coisa, por já ter uma política muito bem estruturada de risco de mercado, com um alcance grande de crescimento nos últimos anos, o que consolida o sistema nas comunidades onde atua”, comenta o superintendente de supervisão do SICREDI/MS Neverton Mendes Gomes.
O Bacen exige hoje o equivalente a no mínimo 11% do valor dos ativos de capital próprio das cooperativas e instituições financeiras para suportar riscos de crédito. E no caso de cooperativas singulares não filiadas a cooperativas centrais, este percentual chega a 15%. O que a futura nova norma vai fazer é aumentar os percentuais para algo entre 15% e 18%.