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Restrição ao crédito derruba a venda de motos em Dourados
Terça-feira, 14 de Agosto de 2012

Diário MS
 
VENDAS de motos estão em queda, e empresas apostam em descontos nos produtos e aumento na adesão
Fabiane Dorta

As vendas de motos caíram 17,42% em Mato Grosso do Sul no mês de julho, segundo dados da Fenabrave/MS (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). De acordo com concessionárias de Dourados, a queda é fruto da restrição na concessão de crédito para que o cliente do varejo compre o veiculo financiado. A baixa liberação para parcelamento é a reação dos bancos aos altos índices de inadimplência registrados em todo país.

“Antes, muitas vezes pelo simples fato de ter um nome limpo, a pessoa já conseguia tirar a moto. Agora o banco está sendo mais cauteloso, puxando os 12 meses do cliente, para saber como tem sido e decidir se libera o valor ou não; e dependendo do que encontrar, pede até uma entrada maior”, explica Nislley Lara, responsável pelo departamento de marketing de uma concessionária de Dourados.
As restrições impactam em todo o segmento. De janeiro a julho do ano passado, foram emplacadas 19.020 motos em MS, já no mesmo período deste ano foram 15.707, uma queda de 17,42%, conforme a Fenabrave. Se comparado o mês de julho deste ano com o de 2011, a redução é ainda mais brusca, em 33,34%. Em apenas um mês – de junho a julho de 2012 – a queda atingiu 3,99%.
Segundo a gerente comercial de concessionária, Lizette Censi Araújo, a média de aprovação de crédito diante do volume solicitado que figurava entre 40 e 45% antes das restrições, hoje está entre 24% e 28%. Para driblar a redução, a empresa tem trabalhado na migração dos clientes para o consórcio e obtido aumento de adesão nesta modalidade de compra.
“Mesmo em boas fases de crédito, grande parte daquele que recusou o financiamento é convertido em consórcio. A diferença é que agora aumentou esse volume e tem compensado e equilibrado as vendas através dessa modalidade”, explica Lizette. A redução nos preços das motos também é estratégia do setor.

IPI PARA CARROS
Apesar de alguns modelos de motos que tem entre 250 e 400 cilindradas custarem atualmente quase o preço de um carro popular básico, a redução do IPI para os automóveis novos não tem impactado o setor de duas rodas, segundo as concessionárias. Isso porque o perfil daqueles que procuram por motocicletas é diferente. Um dos fatores é o poder aquisitivo para pagar a parcela do consórcio ou financiamento, na compra de modelos mais populares de motos.
“Quem tem uma renda de R$ 700 ou R$ 800, tem o perfil de quem compra uma moto, mas não tem enquadramento de renda para comprar um carro, por exemplo”, explica Lizette. Segundo ela, ainda é estatisticamente comprovado que a maioria dos consumidores que possuem carro, também tem uma moto na garagem.
Há diferença ainda no chamado ‘pós-venda’, que segundo as concessionárias são menos onerosos, como o gasto com a manutenção e combustíveis. “A moto é mais econômica. O valor que você gasta em combustível num carro, consegue pagar a parcela da moto e ainda sobra para abastecer”, acredita Nislley.
Ao contrário das motos, a venda de carros tem disparado nos últimos meses, impulsionada, principalmente, pela redução do IPI para veículos novos. O emplacamento de carros subiu 9,77% entre junho e julho deste ano, e o de comerciais leves (camionetes) 11,21%. No acumulado de janeiro até o mês passado, a alta foi de 9,05% e 5,16%, respectivamente, se comprado a 2011.





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