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Abusando a imprensa
Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Marcos Daniel Santi (*)

A recente polêmica envolvendo a eliminação de um dos integrantes do reality show Big Brother Brasil, da rede Globo, poderia ser um ponto de partida para que a sociedade desse início a uma discussão que vai além das rodas de fofoca: a regulamentação da mídia.
Antes de aprofundarmos esse debate, vamos relembrar um pouco o ocorrido. O ‘brother’ Daniel foi eliminado dias depois de se envolver com a ‘sister’ Monique. Ela, segundo dizem embriagada, acabou indo para um dos quartos da casa com o ‘big brother’, quando teriam ali iniciado uma relação. Pelo possível fato dela estar inconsciente, ele foi acusado de ter abusado sexualmente da mulher e foi expulso da casa que abriga os mais novos ‘heróis’ brasileiros, segundo o apresentador Pedro Bial.
Enquanto a jaula humana importada da televisão norte-americana segue fazendo escola no Brasil, o fato da rede Globo se utilizar de uma concessão pública para veicular seus programas parece ser esquecido. Assim como todos meios voltados para exploração privada - concedidos pelo Governo Federal -, nós, consumidores destes produtos - seja na infraestrutura, saúde, educação entre outros -, apesar de muitas vezes não sermos atendidos, sempre primamos pela qualidade. E por que na televisão seria diferente?
Apesar de não ser um grande admirador dos programas televisivos, não prego neste artigo a ‘puritanização’ da televisão brasileira, mas sim a regulamentação da mídia como forma de criar mecanismos para serem acionados em episódios onde ocorram abusos por parte da imprensa, atuando como delimitador de padrões éticos a serem seguidos pelas empresas deste segmento.
Não podemos deixar de dar atenção especial aos outros meios de comunicação, como é o caso dos informativos impressos, de rádio e online. Com o ‘bum’ das mídias eletrônicas e a facilidade de se difundir uma informação, entra em um campo um debate mais complexo, que muitos interpelam alegando que a criação destes mecanismos promoveria o cerceamento da liberdade de expressão.
No caso BBB, qual liberdade seria essa? Não podemos confundir liberdade com libertinagem, sobretudo quando os produtos veiculados nos mass media chegam facilmente a pessoas das mais diferentes idades e culturas, sem qualquer critério ou preocupação sobre o efeito dessa mensagem no público.
Neste contexto, vale destacar a importância da implantação dos Conselhos Estaduais de Comunicação Social (CECS). O primeiro deles foi instalado oficialmente no dia 10 de janeiro, na Bahia. Os estados do Acre, do Distrito Federal, do Rio Grande do Sul e de Sergipe devem ser os próximos.
A criação destes Conselhos Regionais é uma das recomendações da 1ª Conferência Nacional de Comunicação realizada no ano de 2009, em Brasília. A medida visa estabelecer uma participação democrática da sociedade na elaboração e gestão de políticas públicas voltadas para o setor, assim como acontece nos conselhos de Assistência Social, Saúde, Educação e outros.
Previsto no Artigo 224 da Constituição Brasileira de 1988, os Conselhos Estaduais de Comunicação Social atuariam como um importante mecanismo para a sociedade e profissionais da área se manifestar contra abusos cometidos pelos veículos, principalmente àqueles que promovem o desrespeito à dignidade humana, além de, como já dito, estabelecer padrões éticos para o exercício da profissão.
Enquanto os operários da imprensa dormem nesta terra sem lei, parte dos ‘donos da mídia’ se aproveitam disso e continuam abusando de uma classe que segue carente de um Pedro Bial para defendê-la e advertir os malfeitores.

(*) jornalista e corintiano.





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