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Leia o artigo de Carlito Dutra sobre o senador Ramez Tebet
Segunda-feira, 20 de Novembro de 2006Senador Ramez e a grandeza dos pequenos gestos
Carlos Alberto dos Santos Dutra (*) Corria o ano de 1936, a Lei de Segurança Nacional dá carta branca ao governo para reprimir a oposição. Luiz Carlos Prestes havia sido preso e processado. A Europa está em Guerra Civil Espanhola. O México vive uma ampla reforma agrária e Noel Rosa arruma as malas para cantar no céu. É sete de novembro, e eis que Ramez Tebet desprendeu-se do cosmo e plantou-se no tempo, como um junco, prestes a florir à beira do lago. Formado pela Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro-UERJ, em 1959, no ano em que JK criou a Sudene e o Ministro Armando Falcão criou a censura na TV, lá está o jovem causídico a advogar na sua terra natal, Três Lagoas, na margem direita do rio Paraná. Era o início de uma vida pública dedicada ao povo. Promotor público, depois professor universitário, prefeito de Três Lagoas, secretário de Justiça, deputado estadual, vice-governador, Governador do Estado, senador, Ministro da Integração Nacional, chegando a presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional. Foram mais de 40 anos de vida pública, inteiramente dedicados a Mato Grosso do Sul e ao Brasil. O que impressionava nesse homem não era o seu patriotismo, pois afinal, pertencera ao PMDB histórico, pétrio na defesa dos interesses nacionais. E nem o fato de ter sido um homem do seu e do nosso tempo. O que impressionava nele era a grandeza de seus gestos. Ao lado da retórica, todos sabemos, onde era imbatível, se notabilizou mesmo pela altivez de seus horizontes, o alcance político de sua práxis. Transparecia alma de quem buscava ir além do cotidiano. Transpunha o comportamento hermético e comedido que via de regra imprimem os políticos à sua volta. Logo viram estrelas inacessíveis aos seres mortais. Com Ramez Tebet isso era diferente. Sempre foi o mesmo homem, nas ruas ou no parlamento, independente de cargo ou função os quais se viu investido. Essa era uma das características que o diferenciava dos demais. Prova isso, aqui mesmo, em nossa terra, Brasilândia, quando estive no palanque ao seu lado nas eleições municipais de 2000. Na época, contrariando o Diretório Estadual, PT e PMDB coligaram. Eu, na condição de candidato pelo PT, e ao seu lado, a deputada Celina Jallad aclamava os candidatos do PMDB (que eram maioria) que concorriam ao cargo de vereador. Os três candidatos do PT permaneciam na sombra, num canto escuro do palanque, pois, afinal naquele momento, a estrela era o PMDB. E então, o Senador, num gesto de humildade, e ao mesmo tempo de nobreza vai e busca pela mão os candidatos minoritários levando-os, um a um, até os holofotes da mídia para serem aclamado pelo povo, fazendo logo a seguir uma calorosa defesa de nossas candidaturas. De outra feita, por ocasião da fundação do PSOL em Três Lagoas, na Câmara Municipal da Cidade das Águas, lá se encontrava o Homem, ao lado da filha, Simone, Prefeita da cidade, prestigiando o surgimento de mais um partido de esquerda –como outrora fora o PMDB que ajudou a construir a democratização do País. Num discurso inflamado, lembrou a relação carinhosa que sempre manteve com a Senadora Heloisa Helena, em Brasília. Por fim, durante as últimas eleições, em meio à campanha presidencial, a Senadora Heloísa Helena não poupou esforços para estar com ele em sua casa, numa demonstração de humanidade e respeito ao cidadão. Estive ao seu lado naquele momento a tempo de ouvir o elogio dado pelo Senador ao desempenho deste humilde escrevinhador e sua condição de neófito candidato à governador. Comportamento digno, cada vez mais raro na arte da res pública. Aos 70 anos, Ramez Tebet parte e deixa uma legião de amigos. Ao lado de seus familiares, todos haveremos de reverenciá-lo e honrá-lo. Parabéns Senador. Combateste o bom combate. Descanse em Paz. (*) Vereador em Brasilândia-MS e foi candidato a governador de Mato Grosso do Sul pela Frente de Esquerda PSOL/PSTU. Email: dutracarlito@uol.com.br |